|
Através de peregrinações entre vales e montes, de igreja em igreja foi sendo tecida a história do município, iniciada por homens impregnados de pó de minério e fé. De igreja em igreja chega-se ao alto do morro Maranhão onde o português Feliciano Mendes, na segunda metade do século XVIII, fincou uma cruz tosca, e dedicando sua vida ao Senhor Bom Jesus de Matozinhos, deu início à construção do Santuário. Feliciano Mendes fizera uma promessa para recuperar a sua saúde perdida após muitos anos de trabalho na exploração de jazidas de ouro. Atendido, deu início às obras em 1757 e dois anos depois já estava pronto todo o corpo da Igreja. Uma vez mais religiosidade e trabalho se confundia.
A capela se erguia pelas mãos de Feliciano, que com um pequeno oratório do Senhor Bom Jesus do Matozinhos recolhia esmolas e donativos para a construção. As mesmas mãos que num gesto de humildade recolhia tais donativos, foram hábeis o bastante para traçar a grandiosa concepção do Santuário.Não existe nos registros nenhuma indicação com relação ao risco e planta do santuário, mas tudo leva a crer que Feliciano Mendes teria traçado o desenho, conhecedor que era das igrejas do Bom Jesus do Matozinhos, perto da cidade do Porto, em Portugal. E porque também o primeiro ermitão de Congonhas do Campo era "oficial de pedreiro", profissão mencionada em seu termo de entrada para a Ordem terceira de São Francisco de Vila Rica, em 11 de janeiro de 1760. A morte o surpreendeu, em Antônio Pereira, a 23 de setembro de 1765, sem ter ainda terminado a sua igreja, que tinha até então três altares. Sobre o altar-mor, a imagem do Senhor crucificado vinha de Portugal, deixava paga a promessa.
As obras do Santuário foram crescendo com o tempo e com o precioso trabalho dos melhores artistas da época. O Santuário de hoje, em sua excepcional grandiosidade foi fruto da imaginação e sensibilidade de nomes importantes, como Manoel da Costa Ataydes, Francisco Xavier Carneiro e Aleijadinho.
Toda a concepção do Aleijadinho e sua execução dos Passos e dos Profetas do adro, dão ao santuário uma majestade excepcional. A adequação das estátuas ao espaço arquitetônico que elas ocupam é perfeita. Em Congonhas, o gênio de Aleijadinho se libertou e foi aqui, que ele deixou as maiores obras-primas de toda sua arte barroca.
 |
Capela do Sagrado Coração de Jesus
Do lado esquerdo do adro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, encontra-se uma construção que abriga a capela do Sagrado Coração de Jesus e a Sala dos Milagres. O altar-mor da Capela é simples em madeira com três nichos contendo as imagens do Coração de Jesus, Nossa Senhora de Lourdes e São José. |
|
Fachada da Casa Paroquial
Está localizada atrás do adro da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos: sua fachada é larga, destacando-se a portada recortada e trabalhada em pedra-sabão, com quatro pilastras rebordadas com ramos e flores. tem, ao centro, um escudo de Portugal com data de 1844, encimado por coroa e contornando por arremate em pedra-sabão. Um óculo quadrilobado faz a terminação. |
 |
|

|
O estema
No centro a entrada do adro dos profetas, entre Isaías e Jeremias, há um estema ovalado, de pedra sabão, caprichosamente ornamentado de margaridas e rocalhas. Dentro dele, uma inscrição em latim, burilada na pedra.
"(Anno) MDCCLV Domini nosttri Beni Jesu Matusinor (um), Pontifice romano Benedicto XIV, primo hic cultus oblat (us est).
(Anno) MDCCLVI tanden reaedificavit.
Cui faxit acternitas".
Tradução:
"No ano de Nosso Senhor de 1757, sendo Pontífice Romano, Bento XIV, foi oferecido o primo culto do Bom Jesus de Matosinhos. No ano de 1758, com permissão rei José I, construiu-se o templo.
No ano de 1761 foi, contudo, reedificado.
Seja-lhe propícia a eternidade."
|
|