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Congonhas como centro de peregrinação religiosa, remonta a meados do século XVIII, tendo a romaria ao local se iniciado a partir da ereção da capela sob invocação do Senhor Bom Jesus de Matosinhos erguida por iniciativa do português Feliciano Mendes.
"Distante nove léguas desta terra
há uma grande ermida; que se chama
Senhor de Matosinhos; este templo
os devotos fiéis a si convoca
por sua arquitetura, pelo sítio
e, ainda muito tempo mais; pelos prodígios
com que Deus enobrece a Santa Imagem."
É a mais antiga alusão escrita à tradição e ao Santuário, feita por Tomás Antônio Gonzaga na quarta das famosas "Cartas Chilenas", escritas por volta de 1788. A partir dessa época, se prolongando até nossos dias, começa o afluxo de romeiros a Congonhas, começando também a preocupação dos organizadores em abrigá-los durante o Jubileu. Para tanto, por todo o século XIX e início do século XX, a Irmandade do Senhor Bom Jesus se responsabilizará pela construção quase que ininterrupta de pequenas casas comumente chamadas de "Romarias". Era, tanta que os administradores do Santuário não tinham como conservá-las e refletindo uma precária gestão, preferiam a construção de outras, de pior qualidade com gastos menores.
Quando em 1922 Dom Helvécio Gomes de Oliveira toma posse da arquidioce de Mariana, o Santuário passa à responsabilidade dos padres redentoristas, inaugurando um período de prosperidade administrativa que se dá a ereção do abrigo de forma elíptica para recolhimento do romeiro pobre. Sua construção foi iniciada na década de 30 em terreno pertencente à Irmandade, localizado à esquerda do Santuário. A primeira notícia até agora encontrada, traz a data de 1934 extraídas de jornal "Senhor Bom Jesus", e por ela tem-se que "já se acham adiantadas e em franca atividade as obras do Santuário, iniciadas por Dom Helvécio. Para o jubileu ficará pronto o magnífico pavilhão para pobres e uma série de romarias novas", donde se conclui que Floriano Binder era o construtor responsável pela obra.
Em 1968, a tradicional pousada foi desativada pela administração do Santuário e a área vendida a uma grupo empresarial do Rio de Janeiro para a construção de um hotel, obra que jamais foi realizada pelo grupo. O edifício antes de sua parcial demolição e logo após sua venda em 1968, apresentava, na sua forma elíptica, um conjunto de 44 casas baixas de 3 cômodos cada, fechando um círculo ao redor de um imenso pátio e na fachada principal, dois torreões onde se alojavam a administração e o serviço médico-odontológico aos romeiros.Para ocupar esse abrigo, cada família pagava cinco mil Réis por todo o período do Jubileu. Essa quantia era considerada acessível a qualquer família, mesmo as muito pobres.
Pela sua proximidade do conjunto arquitetônico colonial existente na Cidade-Santuário, Adro dos Profetas e Passos e pela sua inserção na tradição local, qualquer tipo de modificações, que o terreno venha sofrer, exceção feita às obras de reconstrução, poderá quebrar a harmonia paisagística existente. Em fevereiro de 1994, começaram as obras de reconstrução da Romaria a partir do aproveitamento do pórtico de entrada da antiga edificação, demolida em1968. Hoje, inteiramente restaurada, foi inaugurada dia 30 de julho de 1995.
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