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Romarias são edificações destinadas ao abrigo e atendimento dos romeiros, construídas em 1922 por Floriano Binder, quando Dom Helvécio Gomes de Oliveira toma posse na Arquidiocese de Mariana. Os seus remanescentes foram tombados pelo IEPHA em 1981, assim como o seu retorno, compreendendo uma área de 53.480m².
Na velha tradição medieval, os sítios de peregrinação recebiam e hospedavam os devotos que iam render culto aos santuários. São Tiago de Compostella é a maravilhosa catedral, românica, erguida sobre o sítio no qual foi enterrado, segundo a tradição, o corpo decapitado do apóstolo. É um dos mais belos monumentos da cristandade, tanto pelo famoso Pórtico de La Glória de Mateo Hernandéz, que data do século XI, quanto pela extraordinária fachada barroca, o Obradoyro, começado em 1733 por F. Casas Y Novoa. Santiago talvez seja o sítio de peregrinação medieval mais importante da Idade Média, para onde convergiam as estradas de toda a Europa. Posteriormente, outros centros de peregrinos foram surgindo, para instituição de Santuários, e essa tradição chega até nossos dias, como demonstram as multidões que se deslocam para Lourdes, na França, Fátima, Portugal e Aparecida, no Brasil. A devoção do Senhor Bom Jesus de Matozinhos é de origem portuguesa e foi o ermitão português Feliciano Mendes, que em 1757 abraçou a causa da construção do Santuário, com a qual trabalhou até a sua morte. Atualmente, no mês de setembro desloca-se de vários pontos do país, uma multidão de peregrinos, a pagar promessas, freqüentemente trazendo ex-votos, recolhidos do Santuário e dos quais algumas peças foram tombadas pelo IEPHA.
O tombamento feito em 1981 alcançou a construção denominada "Romaria", cujo destino era hospedar os pobres que compareciam aos festejos. Antigamente, afora as hospedarias modestas, os peregrinos beneficiavam da hospitalidade dos habitantes do lugar. O tombamento tem como objetivo preservar a paisagem do Santuário, onde se encontra o conjunto artístico-arquitetônico considerado com a obra de escultura mais importante do Aleijadinho. Evita-se, também, além da mutilação paisagística e arquitetônica, uma ocupação inadequada da área, capaz de compreender o acervo existente nas proximidades, como a abertura de ruas e loteamento e as implicações disso decorrentes: adensamento populacional, tráfego e serviços, etc.
Próximo ao local do Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, as "romarias"ocuparam uma área de 53.180 m², com uma construção de forma aproximadamente ovulada, com espaço interno, precedida por um pórtico ladeado por dois corpos de construção em cúpulas de quatro panos ( única construção ainda existente). A área possui também o seu valor histórico, embora tenha sido lamentavelmente desfigurada. Ali existia uma série de pequenas edificações geminadas, em círculo, onde eram abrigados os romeiros pobres. Houve por parte dos responsáveis a visível intenção de integrá-los, sem maiores discrepâncias, ao aspecto visual que singulariza não só o conjunto artístico do Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, mas também a sua paisagem. Dois torreões foram erguidos à entrada das chamadas Romarias, procurando guardar, tanto quanto possível, uma consonância com a arquitetura das Capelas dos Passos situadas bem próximas, à esquerda. Ressalte-se que, quando do tombamento do acervo arquitetônico e escultório do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em 8 de setembro de 1939, a atual Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional levou em conta tal peculiaridade, fazendo incidir o tombamento também sobre o lítio paisagístico em que o conjunto se insere. Mas a medida não alcançou explicitamente as Romarias ou Roundas de abrigo dos romeiros pobres.
A área era de propriedade do Santuário Bom Jesus, tendo sido vendida entre 1966 - 1967. Ocorreu então a demolição das casas, para a construção de um grande hotel de turismo, obra nunca executada, formando-se então um enorme vazio e quebrando inteiramente o ritmo espacial da paisagem em torno, no acesso ao conjunto artístico-arquitetônico. Ali havia 44 casas, de três cômodos cada. Na fachada principal vêem-se ainda os dois torreões, onde funcionavam os serviços de administração e médico-odontológico. Ficou determinado que os torreões subsistentes da antiga construção devem ser conservados, seja qual for o aproveitamento que se der à área. O sítio, abaixo do nível do Santuário, no alto do morro do Maranhão, possui um belo panorama.
Durante a administração municipal, 1993 - 1996, foi reiniciada a construção da Romaria e em 30 de julho de 1995, ela foi reinaugurada.
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