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O mais significativo trabalho de restauração do conjunto escultórico ocorreu durante os anos de 1985 a 1988 e constituiu de tratamento e remoção dos microorganismos contaminantes da superfície da pedra. Entretanto, antigas fotografias revelam que, anteriormente, já haviam sido aplicadas medidas de conservação.
Congonhas apresenta clima subtropical temperado. No verão, durante as tempestades com chuvas torrenciais, ocorre com freqüência o resfriamento brusco da superfície da pedra, da faixa de 50º para a de 20ºC. O posicionamento das esculturas, expostas ao relento, é responsável pelo fascinante efeito do conjunto, mas, por sua vez, possibilita intensa sobrecarga na superfície da pedra, ação do sol, chuva e vento. O monitoramento da qualidade do ar, realizados pela Unidade Móvel do projeto IDEAS, mostra Congonhas como área de baixa poluição.
A pedra-sabão, material bastante utilizado para esculturas, apresenta superfície de brilho acetinado que possibilita suavidade às formas, conferindo-lhe aspecto bastante peculiar. por ser um material de baixa dureza, é facilmente trabalhado. Esta característica possibilitou às esculturas de Congonhas ações de vandalismos, como inscrições e abrasões, levando as autoridades responsáveis pela preservação a se decidirem por uma guarda constante. As esculturas não foram executadas em um único bloco de pedra, mas compostas de várias partes que são conectadas internamente por pinos de pedra, mostrando as juntas abertas.
A pedra-sabão apresenta em sua composição grande variedade de substâncias. Mineralogicamente é composta de talco, clórica e quantidade variável de dolomita. O material não intemperisado apresenta um índice de absorção de água muito reduzido, secando rapidamente. Durante o processo de intemperismo, entretanto, desenvolve-se uma zona superficial porosa e mais absorvente do que a porção interior da pedra. Diversas variedades de pedra-sabão dilatam sob a ação térmica, a qual se verifica em sentido contrário. Assim, a combinação dos efeitos de umidade e temperatura pode ser danosa à superfície da pedra.
Conforme demonstrado pelas investigações químicas, o conteúdo de sais solúveis encontrados nos poros da pedra é muito baixo e os processos cíclicos de cristalização dos compostos solúveis não apresentam, no momento, risco para os profetas. Por outro lado, a ação dos microorganismos sobre o material pétreo parece gerar consideráveis danos. As condições climáticas em Congonhas e a alcalinidade da pedra-sabão favorecem o desenvolvimento de uma grande variedade de atividades metabólicas provenientes de seres vivos. Este fato foi comprovado pela recolonização por microorganismos na pedra-sabão apenas alguns anos após a limpeza e desinfecção realizadas na década de 80.As pesquisas microbiológicas em Congonhas identificaram organismos com acentuado poder de deterioração que, adicionalmente, influenciam o comportamento do transporte de água na superfície da pedra, podendo lhe causar danos.
Como base para investigações e medidas de preservação, os danos foram registrados em mapas de degradação. Apesar dos profetas apresentarem um bom estado de conservação, vários tipos e diferentes graus de degradação são observados. A alteração da superfície original pela formação de relevos, cavidades, perda de fragmentos e decomposição estrutural é generalizada. Comparando fotografias da década de 50 com o quadro atual, é possível perceber uma degradação moderada neste espaço de tempo. Entretanto, pode ser observado que áreas significativas de material original estão afetadas devido à formação de relevos e perdas ao longo de zonas periféricas.
Características são danificações nas quais se verifica a formação de relevos e cavidades. Neste caso destacam-se claramente a enorme complexidade e o surgimento dos fatores de deterioração. Estão envolvidos mecanismos de degradação mineralógicos, químicos, físicos e biológicos. Os componentes mais sensíveis da pedra-sabão são alterados e dissolvidos. Assim, desenvolvem-se áreas permeáveis onde a água pode penetrar e permanecer, sem, porém, atingir as zonas mais densas e profundas da pedra. Como conseqüência, aumentam a lixiviação e a expansão hídrica nas zonas superficiais, e os microorganismos encontram melhores condições de vida. Dessa forma, a coesão do material pétreo diminui, possibilitando a penetração de água e dando prosseguimento ao processo de degradação. Este ciclo acontece de forma contínua e deve ser interrompido.
Além de um plano que inclua o controle, a manutenção e a observação do conjunto escultórico, devem ser perseguidos dois objetivos; um deles é a repetida eliminação da contaminação biológica e tratamento com biocida. O outro visa a proteção das cavidades, veios intemperisado e fissuras, a fim de prevenir futuras perdas de material.
Para testar substâncias biocidas, amostras de pedra-sabão foram tratadas e expostas nas proximidades do Santuário e os agentes mais favoráveis foram aplicados em áreas de teste na balaustrada. A proteção do meio ambiente tem importante papel na seleção dos produtos. Para proteger as cavidades, diferentes materiais de reparo de pedra são examinados no programa de exposição ao relento. Pó de pedra-sabão foi aplicado como aditivo e, como agente cimentador, utilizou-se produtos de silício que resultam em material coloidal semelhante à substância pétrea silicosa. Ao contrário das resinas artificiais, essa argamassa não é suscetível à dilatação térmica, além de ser um produto mais facilmente reversível. Os materiais para limpeza e conservação desenvolvidos são testados cuidadosamente "in situ" antes de serem aplicados às preciosas esculturas.
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