|
Em 3 de dezembro de 1985 o precioso acervo da cidade finalmente recebe o reconhecimento mundial. Os homens que lutam pela preservação do patrimônio histórico e cultural de sua comunidade defendem algo mais que suas tradições. Defendem a própria identidade. Ninguém mais que a população de Congonhas soube defender essa identidade. Ninguém mais teve tão grande responsabilidade pelo tombamento. Isto porque a comunidade, ciente do valor do acervo, sempre defendeu de forma intransigente esse patrimônio, que em 1985 foi reconhecido pela Unesco como Monumento Cultural da Humanidade.
A decisão da Unesco veio premiar o esforço do governo e do povo de Congonhas, que sempre entenderam o caráter universal do acervo artístico e histórico deixado por Aleijadinho. A idéia de solicitar a declaração deste acervo como Monumento Cultural da Humanidade vinha de longa data, Por ocasião da visita a Congonhas do Diretor Geral da UNESCO - entidade das Nações Unidas dedicada á educação e a cultura - Sr. Amadeu Mattar M'Bow em 22 de abril de 1981, foi sancionada a Lei Municipal n. 902, que cognominou a cidade de Congonhas como a Cidade dos Profetas. Nesta oportunidade, foi iniciado o movimento para o reconhecimento pela UNESCO, do Conjunto Barroco de Congonhas, como Monumento Cultural Mundial, a Spham preparou, um processo que apresentado à Unesco em dezembro de 1984, foi aprovado por unanimidade na reunião anual da entidade em 3 de dezembro de 1985.
Quando ainda se preparava o projeto que seria enviado a Unesco, Congonhas recebeu a visita de duas celebridades internacionais que contaram pontos decisivos no tombamento. A primeira delas do subdiretor geral da Unesco, o sueco Anders Arfwdson, que na época manifestou grande entusiasmo pelo acervo histórico de Congonhas. A outra, da diretora da Seção de Normas Internacionais para Preservação do Patrimônio Mundial da Unesco, Anne Raidl, que ficou entusiasmada diante da dimensão da obra de Aleijadinho e do conjunto que se pretendia tombar.
Na mesma época, o então secretário de Cultura, José Aparecido de Oliveira regressou de Paris onde manteve contatos com o Ministério da Cultura da Unesco. Informando naquela oportunidade de que o tombamento dependia em primeira instância, do dossiê completo sobre todo o conjunto, José Aparecido manteve entendimentos com o Ministério da Cultura, que em dezembro de 1984 enviou à delegação permanente do Brasil junto à Unesco, toda a documentação referente à proposta de tombamento.
Nessa etapa do processo foi fundamental o empenho e interesse da historiadora Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, conhecedora do acervo de Congonhas. Foi ela quem minuciosamente preparou o dossiê enviado à Unesco, um completo relatório que descreve peça por peça todo o acervo de Congonhas. A ele foram anexadas fotografias de Claus Meyer feitas para o livro Passos da Paixão, editado pela IBM do Brasil, exibindo os diversos ângulos de cada unidade do conjunto, especificando a altura, largura e peso de cada obra.
Incluído ainda no material enviado, um filme sobre o conjunto arquitetônico e escultório da Basílica, e inúmeros trabalhos de historiadores , reportagens e pesquisas feitas sobre o acervo.
Em agosto de 1985 a Unesco já estava com o dossiê completo sobre Congonhas. O próximo passo seria conseguir a inclusão do processo de tombamento na pauta de votação da reunião de delegados anualmente realizada em dezembro. Para que essa decisão não fosse adiada foram desenvolvidos todos os esforços possíveis, a partir de iniciativa do então prefeito Gualter Monteiro que voou até Paris para acompanhar de perto o andamento dos trabalhos. Depois de reunião preparatória, o projeto foi incluído na pauta de votação; e na reunião principal realizada em 3 de dezembro de 1985, os delegados da Unesco aprovaram, por unanimidade, a proposta de tombamento. Finalmente Congonhas recebeu o merecido título de Monumento Cultural da Humanidade.
A elevação do conjunto histórico e artístico de Congonhas à condição de Monumento Cultural da Humanidade foi fruto do desejo de toda a comunidade, da tenacidade do prefeito e da dedicação de autoridades e técnicos do Ministério da Cultura. Além do apoio que recebeu no Brasil, em Paris o projeto contou com a colaboração de outros brasileiros, como o embaixador Josué Montelo e representantes da Sphan. Outro grande artífice de todo o processo foi José Aparecido de Oliveira. Sua estratégia para a condução do projeto inclui a visita dos diretores da Unesco a Congonhas e constantes contatos internacionais com autoridades envolvidas no tombamento.
- VOLTAR -
|