|
|
Ocupando posição simétrica à de Joel, no ponto de encontro dos muros que formam o parapeito de entrada do adro à esquerda, encontra-se a imagem do profeta Jonas. para o mais popular dos profetas menores, Aleijadinho reservou lugar de destaque, colocando-o junto de Daniel.
A recusa de Jonas a Javé, não indo pregar em Nínive, sua vida aventurosa e o episódio do castigo sob a forma de permanência no ventre da baleia, sempre exerceram forte poder de atração sobre os artistas de todas as épocas. Jonas e Daniel não apenas estão lado a lado em Congonhas, como também se destacam dos demais por serem os únicos a apresentarem atributos iconográficos específicos. Daniel tem a seus pés um leão, enquanto Jonas traz consigo um animal marinho.
O profeta sustenta ao lado direito o filactério, em cuja inscrição lê-se:
- "A Ceto Absor/ Ptus Lateo No/ Cesqui Diesque/ Tres Ventre In/ Piscis Tum Ni/ Niuem ventre./ Ionas/ Cap. 2".
"Engolido por uma baleia, permaneço três dias e três noites no ventro do peixe; depois venho a Nínive. Jonas, Cap.2". |
A estátua de Jonas repete o mesmo padrão tipográfico já anteriormente usado para as imagens de Jeremias, Ezequiel, Oséias e Joel. Sua fisionomia, entretanto, apresenta traços distintos como a boca entreaberta com os dentes aparentes e a cabeça voltada para o alto. O vestuário de Jonas se constitui numa espécie de batina, com colarinho, abotoada até a cintura, onde é presa com uma faixa. O profeta traz também um manto jogado sobre o ombro esquerdo e o habitual turbante em forma de mitra com abas retorcidas.
A estátua, parece ter recebido de Aleijadinho o mesmo cuidado especial dispensado a Daniel. Não se nota qualquer traço indicador da intervenção do atelier. Acham-se reunidos nesta peça dois aspectos essenciais de seu gênio criador: a capacidade de expressão dramática que caracteriza a visão frontal da estátua, e o ornamento visível na parte posterior, onde a silhueta sinuosa da baleia, com cauda e barbatanas, parece emergir de um chafariz rococó.
- VOLTAR - |