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Do lado oposto a Baruc, no pedestal que arremata o muro de alinhamento central do Adro, encontra-se Ezequiel, o terceiro dos grandes Profetas. Também conhecido por "profeta do exílio", por ter sido banido para a Babilônia juntamente com o povo de Israel em 597 a.C., Ezequiel concentrou em suas profecias grande número de visões apocalípticas, fortemente influenciadas pela mitologia babilônica.
A inscrição do filactério é alusiva a uma dessas visões, síntese geral do capítulo 1º de seu livro de profecias:
"Quatuor In Mediis Describo Animalia Flammis Horribilesque Rotas Aetherumque Thronum C 1".
"Descrevo os quatro animais do meio das chamas e as rodas horríveis e o trono etéreo. C-1". |
A citação traduz a síntese de três etapas sucessivas da visão do profeta: primeiramente, apareceram-lhe quatro animais alados de quatro faces cada um, em seguida, as quatro rodas de um carro de fogo sustentando um trono de safira e, finalmente, sobre esse trono, o próprio Deus de Israel.
O tipo fisionômico de Ezequiel é o mesmo de Jeremias. Usa bigodes e barba curta, secionadas em dois rolos frisados e cabelos longos caindo sobre a nuca. Ao invés da túnica curta, o Profeta veste uma túnica longa e cintada que deixa descoberto apenas a ponta do pe'direito. Em lugar do turbante, Ezequiel traz na cabeça um barrete com viseira presa por um laço um pouco acima da nuca. Recobrindo toda a parte posterior da imagem, o manto é magnificamente decorado por uma barra com desenho de volutas entrelaçadas.
A escultura parece não ter sofrido intervenção do atelier. Sua grande força de expressào revela cuidados particulares de Aleijadinho em sua execução. A imagem é composta de dois blocos de pedra unidos na região da cintura, além da impressionante expressão da cabeça, destaca-se também a significativa flexão do braço direito.
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