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À esquerda , ladeando a passagem para a entrada do adro, em frente a Oséias, encontra-se a imagem do profeta Daniel. O confronto do quarto dos profetas maiores e do primeiro dos profetas menores, nessa situação privilegiada, revela uma vez mais, um projeto iconográfico preciso para as posições das estátuas no adro.
Daniel, assim como Ezequiel, sofreu o cativeiro da Babilônia, onde chegou a alcançar grande prestígio junto aos governadores, sobretudo pelos seus dons de interpretação de sonhos e decifração de escritas misteriosas. Esse mesmo prestígio lhe valeu, mais tarde, o encarceramento na cova dos leões. Esse episódio, relatado no capítulo VI de seu livro de profecias, está sintetizado na inscrição do filactério que Daniel segura em sua mão direita:
- "Spelaeo Inclu/ Sus (sic Rege/ Jubente) Leo/ Num,/ Numinis Au/xilio, Liberor/ Incolumis./ Daniel/ Cap. 6".
"Encerrado (por ordem do rei) na cova dos leões, sou libertado, incólume, com o auxílio de Deus, cap.6".
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Os traços fisionômicos da escultura mostram um jovem imberbe como Baruc e Abdias. Entretanto, a fisionomia de Daniel difere da deles pelo recorte especial dos olhos, boca e nariz longo, de narinas fortemente sulcadas, revelando em seu conjunto uma expressão altaneira e distante, própria de um herói cônscio de sua força. A coroa de louros que decora a mitra da cabeça, acentua esse aspecto, é uma alusão evidente à vitória sobre os leões. Como Ezequiel, Daniel veste uma túnica longa, presa na cintura por uma faixa abotoada no colarinho. E traz como atributo, o leão deitado a seus pés, como um animal doméstico.
Nessa escultura, parece que Aleijadinho dispensou qualquer colaboração de seus auxiliares. Trata-se da estátua de maior dimensão de todo o conjunto e apesar disso, a peça é monolítica e particularmente bem executada, revelando sem dúvida, a marca do gênio de Aleijadinho.
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