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O Passo da Crucificação ou Subida ao Calvário apresenta características arquitetônicas semelhantes, variando tão somente o formato da cartela de inscrição, sendo esta última curiosa síntese das três primeiras. Copia ao mesmo tempo o formato sinuoso da cartela da Prisão, o tipo de letras da Ceia e os motivos florais do Horto. Na inscrição, o nome do evangelista está escrito novamente em português:
"Calvarium/Locum Ubi Cruci/Fixerunt Eum. Et/Cum Eo Alios Duos/Hinc Et Hinc/ S. João Cap. 19 V.17 e 18".
Ao lugar chamado Calvário, onde o crucificaram,e com eles outros dois, um de cada lado".
As onze imagens que formam o grupo da Crucificação, ao contrário do que se verifica nos outros Passos, não se acham subordinadas a um único foco de interesse. A composição é dividida em três partes distintas. A zona central, onde se passa a ação principal é ocupada pela figura de Cristo, de dois carrascos que o pregam na cruz estendida em posição horizontal e de madalena, que de joelhos, lança seu olhar para o alto em desesperada súplica.
"Repartiram minhas vestes entre si e sobre minha túnica lançaram sortes". Este texto profético de São João, serviu de tema para a segunda cena do grupo da Crucificação. A esquerda de Cristo, dois soldados disputam em jogo de dados a túnica do condenado. E como terceiro foco de atenção, aparece ao lado direito de Cristo, Gestas, o mau ladrão e o bom ladrão, esperando com as mãos atadas, o momento de serem também crucificados.
Como figuras secundárias, dispostos ao longo da parede do fundo, da capela, três outras figuras de soldados assistem à crucificação de Cristo, com a fisionomia impassível. Um destes soldados se destaca dos demais, pela sua vestimenta. trata-se sem dúvida do centurião mencionado pelos três evangelhos sinópticos, e suas vestes inclui um longo manto de púrpura jogado às costas. Em lugar do capacete habitual dos soldados, este soldado apresenta-se com um turbante à moda oriental análogo ao de dois Profetas do Adro.
As fotografias anteriores à Restauração de 1957, mostram o interior da capela da Crucificação sob um ângulo completamente diferente do de hoje. Antes a cruz estava disposta em diagonal à parede do fundo da capela e atualmente a disposição de todas as imagens é organizada em torno da cruz, colocada transversalmente. É preciso frisar que as capelas foram construídas muitos anos após a execução das imagens, e que não há nada que prove, que o arranjo, feito na época em que foi terminada a capela, corresponda ao projeto original de Aleijadinho.
Na capela da Crucificação, atribui-se ao Mestre, as imagens de Cristo e Mau Ladrão e ainda sua intervenção na escultura do centurião, cuja fisionomia e turbante podem ser comparados aos dos profetas Baruc e Abdias, esculpidos depois por Aleijadinho. Também se percebe a intervenção de Aleijadinho nas esculturas do Bom ladrão e Maria Madalena, concebida para ser vista de perfil, é magnificamente talhada do lado direito e grosseiramente acabada do outro lado, que apresenta inclusive erros de proporção, notando-se ainda o curioso detalhe do pé calçado, em contradição com o pé descalço do outro lado.
A policromia do conjunto da capela da Crucificação, pode ser, através de análise estilística, relacionada com a do grupo da Subida ao Calvário. Os saiotes obedecem à mesma gama de amarelo-alaranjado-vermelho e as couraças são pintadas também no mesmo tom de cinza claro da capela anterior. O verde entremeado de amarelo volta a aparecer, colorindo agora a blusa de Madalena e a fita entremeada em seus cabelos.
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