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Já defrontando a esplanada que antecede a escadaria monumental do templo, encontra-se a penúltima capela, que abriga o Passo da Subida ao Calvário ou Cruz-às-Costas, segundo denominação popular. Construída entre 1867 e 1875, a capela se diferencia das demais extrema simplificação da cartela acima da porta, reduzida a um painel retangular, trazendo a inscrição:
"bajulans/Sibj. Crucem./S. joan. Cap. 17, V.19"
- Tomando sobre si a Cruz".
As letras são grosseiramente esculpidas como na capela da flagelação e Coroação, notando-se o emprego de molde pela primitiva inversão da letra L na palavra Bajulans, perfeitamente visível apesar da correção. Os números do capítulo e versículo de São João encontram-se invertidos. Aleijadinho escolheu, para ilustrar o Caminho de Cristo para o Calvário, o episódio de "Encontro com as filhas de Jerusalém", relatado por São Lucas, Cap. 23, v. 27,28. "E seguia-o uma grande multidão de povo e mulheres, as quais batiam no peito e lamentavam. Mas Jesus, voltando-se para elas, disse: - Filhas de Jerusalém, não chorei sobre mim, mas chorais sobre vós mesmas e sobre vossos filhos".
A figura do arauto tocando trombeta, a do soldado e a posição de de marcha da maioria das imagens, indicam claramente que a composição geral da cena está centrada na idéia de um cortejo. O tema se adapta mal às reduzidas dimensões da capela e a idéia inicial é substituída por outra, dando uma visão de concentração dos personagens. A solução encontrada, visto o pouco espaço interior da capela, foi retratar um breve momento de pausa na marcha para o Gólgota. Cristo se volta para falar a duas mulheres que o seguiam em prantos. Uma delas faz menção de enxugar suas lágrimas, enquanto que a outra segura nos braços a figura de um menino, reforço suplementar à imagem proposta pelo evangelista (chora sobre vossos filhos).
Esta mulher, que leva o menino aos braços, veste-se pitorescamente à moda setecentista das mulheres do povo, tema bastante comum nos presépios baianos e portugueses no período. Trata-se do segundo exemplo de ruptura com a iconografia até agora encontrada nestes Passos.
Entre os componentes do grupo desta capela, encontra-se dois casos de transferência de imagens. Um menino com um cravo na mão, transferido na restauração de 1957 da capela da Crucificação para este Passo, e uma das figuras de soldado, facilmente identificável pela policromia, análoga à dos soldados do grupo da Flagelação e Coroação. Ambas as transferências são confirmadas pelo 1º inventário detalhado dos Passos, elaborado em 1875, que nos dá um total de nove imagens apenas para o grupo Cruz-às-Costas, duas a menos que atualmente. Estas transferências se justificam, por razões iconográficas e ambientais, uma vez que tanto o menino, colocado à frente de Cristo, quanto ao soldado, integram-se perfeitamente ao conjunto deste Passo.
As únicas figuras nesse grupo atribuídas inteiramente a Aleijadinho, é a de Cristo e a mulher que lhe enxugou as lágrimas. Sua intervenção direta pode também ser notada em duas imagens vestidas à moda setecentista, e na imagem do arauto que precede o cortejo, cujo rosto redondo, de nariz arrebitado e queixo fendido, faz lembrar as habituais fisionomias de anjinhos do artista. Todas as demais peças secundárias que integram o grupo são de qualidade inferior, e formam o conjunto mais fraco de imagens de soldados destes Passos. Estas figuras acusam a imperícia dos oficiais que as realizaram, pois é viáivel a falta de uma técnica mais apurada.
A policromia é diferente de todos os outros Passos e apresenta características próprias. As carnações, excetuando-se a de Cristo que é quase mulato, são claras e pálidas. As couraças são de um cinza claro, bem próximo do azul, e os saiotes variam em tons crescentes de amarelo, laranja e vermelho. As cores são bem mais claras do que na capela anterior, com a inclusão do verde, ligeiramente amarelado, que colore o manto e a fita da mulher com o menino. A completa ausência de referências documentais, impede a identificação do autor da policromia do Passo da Subida ao Calvário. Entretanto, as evidências comprovam, que a pintura deste 5º Passo foi realizada por artistas diferentes dos da 4º capela. A data precisa em que a policromia foi executada também é plausível de dúvida, sendo mais provável a segunda metade do século XIX, possivelmente antes de 1875.
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