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BASÍLICA DO SENHOR BOM JESUS


Basílica do Senhor Bom Jesus

A Basílica do Senhor Bom Jeus de Matosinhos, que começou a ser construída em 1757 e só foi totalmente concluída em 1790, com o término das obras do adro e escadarias, é a principal igreja de Congonhas.

Ali se encontra a imagem do Senhor Morto, à frente do altar mor, motivo da maiorperegrinação religiosa de Minas Gerais. A beleza e o grande valor de suas obras, somados às esculturas dos 12 profetas e as 66 figuras dos Passos da Paixão fazem deste conjunto a maior expressão do Barroco Brasileiro.

A construção do Santuário do Bom Jesus

Feliciano Mendes, português emigrado para o Brasil à cata de enriquecimento nos veeiros auríferos das Gerais, devoto, outrossim, do Senhor de Matosinhos, viu-se acometido de pertinaz doença, em meio à labuta desenvolvida com aquela precípua finalidade. Desiludido quando ao objetivo colimado, voltou suas vistas para o benfeitor celestial, e fez-lhe ardente promessa de dedicar-se inteiramente a seu serviço, caso conseguisse restabelecer a saúde do corpo combalido pela enfermidade. Satisfeito em sua solicitação, isto é, curado dos males físicos, assentou acampamento no Alto do Maranhão, em sítio fronteiro ao Arraial das Congonhas do Campo. No mês de fevereiro de 1757, chantou modesta cruz naquela elevação de terreno, erguendo ao lado dela, pouco depois, singelo oratório no qual entronizou a imagem do Crucificado. Ciente da necessidade de aprovação eclesiástica para ampliar e consolidar a devoção que acabara de instalar, dirigiu-se, em seguida, nesse sentido ao 1º Bispo de Mariana, Dom Fr. Manuel da Cruz. Inteirado dos bons propósitos do postulante, não teve dúvida o prelado em outorgar-lhe a competente licença, expedindo a provisão de 21 de junho do supra-referido ano, entre cujas estipulações figurava o compromisso de construir o devoto, dentro de três anos, mercê de esmolas, condigna ermida, a fim de dar abrigo seguro ao culto divino. Igualmente sabedor de que, para fazer-se eremita e receber óbulos destinados à instituição em cause, se tornava mister o beneplácito régio, não vacilou o ex-garimpeiro em requere-lo de modo idêntico. Atendido ainda uma vez em sua súplica, pelo monarca lusitano ocupante do trono na ocasião, Dom José I, tratou Feliciano Mendes de pôr mãos à obra. Dispondo do cabedal que possuía, fruto de suas economias na árdua faina das minas, a totalizar a soma de seiscentos mil réis em barras de ouro (quinhentas oitavas do precioso metal), comprara em 06 de outubro de 1757, um moleque de nome Sebastião, para ajudá-lo no afã de propagar a veneração ao Senhor de Matosinhos. Munido das permissões em questão, tomou hábito e bordão, pendurou a caixinha ao pescoço e saiu a pedir com tal fervor, que bem depressa alcançou fundos suficientes para ocorrer aos gastos imprescindíveis à edificação da capela.

Hoje, quem entrar no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, não mais sofrerá aquele contraste entre a decoração da fachada e um interior pouco expressivo que a decoração morna não conseguira animar. Ao invés dessa insatisfação, deparará, como lá fora, com uma arquitetura que, rigidamente proposta na formulação primitiva, depois consegue alçar-se à inesperada formosura que, com ser variada, não padece do artificialismo dos adornos sucessivamente acrescentados, nem, por ser adicionada ao ambiente construtivo, deixa de integrar-se nele.

Se, por ventura, o visitante tiver pendor pela observação mais minuciosa e o gosto da contemplação mais detida, poderá examinar, uma a uma, as contribuições dos artistas de Minas setecentista à capela de Congonhas. A pintura de João Nepomuceno Correira e Castro, está no forro da neve e nos quadros que se distribuem por toda a igreja. A talha de Antunes de Carvalho encontra-se no altar-mor, que voltou a seu lugar. Os altares colaterais mostrarão quem era, no ofício da talha, Jerônimo Félix Teixeira. Bernardo Pires deixou sua pintura no teto da capela-mor e no altar de São Francisco, enquanto o altar de Santo Antônio foi trabalhado pelo pintor João de Carvalhais. Os grandes anjos do altar-mor são obra de Francisco Vieira Servas, que só conhecia superior no Aleijadinho. Manoel da Costa Ataíde, no ano de 1819, andou a retocar pinturas da capela-mor, mas não é por esse título que se prende, substancialmente, ao Santuário de Congonhas.

O adro do Santuário de Congonhas

Na composição arquitetônica do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, avultam as figuras do Antigo Testamento, esculpidas por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Mas, conquanto qualquer dessas estátuas tenha, isoladamente, excepcional interesse como escultura, a grande obra plástica de Congonhas é o monumento constituído pelo conjunto de todas elas, ligado às muralhas do adro do Santuário e à sua escadaria.

O adro da Igreja não se apresenta apenas como uma construção ornada e enriquecida por doze esculturas de pedra. Entre estátuas e muros existe clara interdependência de formas e contornos, unindo, como partes de um mesmo todo, os elementos de uma só criação plástica. E a variedade de formas e atitudes das figuras esculpidas não enfraquece a unidade da obra. Ao contrário, as linhas e os volumes de cada estátua obedecem, dentro de sua liberdade barroca, a um ritmo geral que unifica e equilibra a composição e transmite ao conjunto um expressão intensa de grandiosidade patética. No grande adro dos profetas sente-se muito daquele "jeu savant, correct et magnifique dês formes sous la lumière", que há em toda autêntica obra de arquitetura. Esse adro é, na realidade, com suas doze estátuas, um monumento de arquitetura.

A história da construção do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos é profunda e interessante. Recomendamos a pesquisa em livros específicos para melhor conhecimento. Texto retirado do livro: A Basílica do Senhor Bom Jesus de Congonhas do Campo; Autor: Edgard de Cerqueira Falcão; Editora Brasiliensia Documenta; Ano: 1962.

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