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No ponto extremo do adro, à esquerda, na parte superior do arco de circunferência que une os muros extremos dianteiro e laterais do Santuário, encontra-se a imagem do Profeta Amós, que viveu no século VIII a.C. e é talvez o mais antigo dos profetas de Israel que tenha deixado textos escritos. Antes de ser chamado pelo Senhor para o ministério profético, foi, segundo suas próprias palavras, o primeiro pastor na região de Belém. Seu estilo é simples e enérgico, utilizando com freqüência, imagens tomadas da natureza e da vida pastoral. A expressão "vacas gordas", inscritas no filactério, denota essa característica do profeta. O texto completo da inscrição sintetiza alguns traços marcantes da biografia e textos de Amós e é o seguinte:
- "Primo Equidem/ Pastor Factus/ DeInde propheta,/ In vaccas Pin/ Gues Invehor/ Et Proceres. /Amos/ Cap. 1".
"Feito primeiro pastor, e em seguida profeta, dirijo-me contra as vacas gordas e os chefes de Israel. Amós, cap. 1". |
Amós difere totalmente dos demais profetas do conjunto e essa diferença se faz notar tanto no tipo físico quanto pela indumentária. Seu rosto largo e imberbe tem expressão calma, quase bonachona, como convém a um homem do campo. Suas vestes condizem com sua condição de pastor. Amós está vestido com uma espécie de casaco debruado de pele de carneiro, e traz na cabeça um gorro, de forma semelhante ao que usa, ainda atualmente os camponeses portugueses da região do Alentejo.
Dada a grande altura do muro do adro em que está colocada, a escultura parece ter sido concebida para ser vista pelo lado esquerdo, já que o lado direito ela apresenta deformações, como por exemplo, a omissão da perna da calça deste lado. Como a estátua de Daniel, trata-se de uma peça monolítica, com uma pequena emenda na parte superior do gorro.
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